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Glossário

Alferes ou bandeireiro(a)

É um dos componentes de uma companhia de Reis. Sua função é conduzir a bandeira ao longo do giro do grupo. Em geral vai à frente, carregando o símbolo da companhia e o entrega para os donos das casas visitadas pela folia. Muitas vezes é ele quem anota e organiza as ofertas que o grupo recebe.

Alvorada

Diz-se alvorar a bandeira, abri-la, iniciar a jornada de um ano, começar o giro. A Alvorada, muitas vezes é também um toque e o rito que marca o início de cada dia de caminhada.

Bandeira

A bandeira tem imagens como os Santos Reis, a estrela de Belém, cenas do nascimento de Jesus e é um símbolo do grupo, elemento sagrado, de grande respeito. Nela, a comunidade pendura fitas, flores, dinheiro, fotos em agradecimento à graça recebida. Muitos beijam e demonstram toda a emoção de recebê-la em sua casa enquanto os foliões cantam em frente ao presépio ali instalado. É recebida à porta da casa pela família visitada e entra pelas mãos do morador. Objeto de devoção pode ser levada a todos os cômodos, como uma espécie de bênção e proteção. A bandeira ajuda os foliões a cumprirem sua tarefa, no dizer de muitos deles. É ela quem guia e identifica a companhia, representando o Sagrado.

Bendito de mesa

Os foliões costumam cantar e rezar em sinal de agradecimento pela comida, que durante o giro do grupo é oferecida pelas casas em que a bandeira vai passar. Muitas famílias costumam fazer promessa de oferecer o almoço ou o jantar aos foliões. O bendito de mesa é uma bênção dos alimentos cantada pelo grupo.

Catira

Diversão realizada pela folia depois de cantar a parte sagrada. É uma dança em que um grupo de homens improvisa versos, acompanhados da viola e outros instrumentos, por exemplo, a caixa, executando sapateados e palmeios.

Chegada

A festa da chegada marca o retorno da bandeira, após o fim do giro. Ela poderá acontecer em lugares como a casa do festeiro, do embaixador, na igreja, entre outros. É o momento que marca o fim de mais um giro da bandeira. Comemoração e ritual, festa e fé, misturam-se na chegada que encerrará a bandeira até o próximo ano.

Corpo seco

Muitas histórias, lendas, crenças, rodeavam as fazendas e o campo em tempos passados. Histórias sobre sacis, caboclos-d´água, lobisomens, visagens, e os saberes para repeli-los faziam parte do cotidiano. Diz-se que as pessoas muitos más, quando morriam, não podiam ser comidas pela terra de tão ruins que eram e, assim viravam corpo seco, uma espécie de bicho monstro, com pelos no corpo, dentes e unhas compridos, deformações. Em geral, costumava-se amarrar esta criatura em uma figueira em algum lugar distante e recomendava-se não chegar perto.

Dia de Reis

Dia 6 de Janeiro é a data comemorativa que faz alusão aos Três Reis Magos. Tradicionalmente marca o encerramento do giro das folias e a realização da festa comunitária resultante das ofertas recebidas.

Embaixador

Também chamado de mestre, capitão, folião de guia, é o responsável pela coordenação e manutenção do grupo e pela obediência de todos às regras e procedimentos necessários à tradição. Ele é quem dá o verso que será respondido por seu contramestre (ou contraguia, entre outros nomes) completando os dizeres já conhecidos e muitas vezes improvisados, de acordo com as situações encontradas pela folia, na visita a uma casa.

Festeiro

Esta figura aparece em muitas festas populares. Ele (ou ela) será o responsável por coordenar a realização da festa e no caso da folia, de suprir necessidades do grupo e dar apoio ao bom andamento do giro. Não raro o festeiro é uma pessoa que fez promessa ao santo de empreender essa tarefa em agradecimento a uma graça recebida. Em geral escolhe-se o festeiro um ano antes, muitas vezes por sorteio entre os candidatos.

Folia de Reis

A folia, também chamada de companhia, embaixada, terno, entre outros nomes é formada por um grupo, na sua maioria composto por homens, que saem de casa em casa, em geral no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro (dia de Reis) contando em versos e canções a viagem dos Reis magos que seguindo a estrela de Belém foram visitar o Menino Jesus recém-nascido pedindo um donativo para a realização de uma festa comunitária.

Folião

Uma companhia é formada pelos foliões que são devotos que tocam diversos instrumentos como viola, violão, rabeca, cavaquinho, bandolim, sanfona, caixa, pandeiro, percussões diversas, e cantam os versos que descrevem a história da visita dos Reis ao menino Jesus recém-nascido.

Giro

O giro é o nome dado ao período da caminhada da folia. Esta palavra também identifica o percurso do grupo. Por vezes usa-se também o termo jornada. Em tempos passados as folias costumavam caminhar de noite, representando no giro a viagem dos três Reis e terminavam o dia, pousando em uma casa no caminho. Assim, o grupo permanecia junto durante todo o tempo em que a folia girava e seus componentes retornavam a casa somente no final deste período que abrangia em geral de 24 de dezembro a 6 de janeiro.

Oferta

A oferta, também chamada de prenda ou esmola, é oferecida por uma família visitada pela bandeira para auxiliar na realização da festa comunitária que acontece ao fim do giro da companhia. Pode ser algum valor em dinheiro, um animal (galinhas, porcos, um boi) ou ainda algum alimento como arroz, macarrão, feijão, etc. Os foliões dizem que Santos Reis não pede esmola, Ele tudo pode, os devotos dão conforme suas possibilidades.

Palhaço

Muitas folias contam com o palhaço, em geral chamado de bastião ou ainda de marungo. Figura de um mascarado que pode ter variação numérica e de gênero: um, dois, três, somente homens, um casal. Sua presença recebe explicações diversas dos guias. Alguns dizem ser um brincante, outros que a função dele é chegar antes da folia e orientar o guia. O palhaço é uma figura importante na embaixada. Tem grande ligação com a bandeira e com o cumprimento das promessas, improvisando versos, danças e prestando reverências aos donos das casas pelas quais passa a folia. Em algumas regiões do país, não se tem o costume de utilizá-lo nas companhias. Há guias que acreditam que esta figura não deve aparecer por representar o diabo, sendo por vezes explicado como um soldado de Herodes que vai delatar a chegada do menino.

Pouso

O pouso (ou agasalho) é o local onde a companhia pernoita e faz suas refeições. Serve de descanso para o grupo, para os instrumentos e para a bandeira. As companhias são recebidas com fartura e alegria nestas casas, que muitas vezes recebem honrarias especiais, com versos e toadas específicas. No pouso, os foliões se reúnem ao final do dia para cantar, contar causos e se divertir ao fim de mais um longo dia de caminhada.

Presépio

O presépio, por vezes também chamado de lapinha, é um conjunto de figuras que representa a cena do nascimento de Jesus e da adoração dos magos. Em alguns lugares toma proporções enormes podendo ocupar até uma sala. Montado no mês de dezembro e tradicionalmente desmontado no dia de Reis. É na frente dele que a companhia costuma cantar uma série de versos, fazendo alusão a todas as figuras ali representadas.

Santos Reis

Os três Reis Magos, conhecidos também como Santos Reis ou Reis do Oriente, chamados de Baltazar, Melchior e Gaspar, foram os primeiros a visitar o menino Jesus oferecendo-lhe presentes (incenso, mirra e ouro). Considerados santos por muitos, são representados nos presépios e nas bandeiras das folias de Reis. Muitos embaixadores contam que os três Reis formaram a primeira folia do mundo, dando início a esta tradição.

Toadas

No norte do Paraná, diz-se toada para designar as músicas que a folia de Reis executa e também para caracterizar musicalmente uma canção. Pode-se dizer toada para a Chegada, o Agradecimento ou a Despedida (músicas cantadas pela companhia em cada casa que visita), assim como diz-se toada paulista, mineira ou baiana, para indicar o estilo e as características musicais de uma Chegada ou Despedida.